O senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) gravou
nessa terça-feira, 23, pela primeira um vídeo para seus eleitores após a
delação de Joesley Batista, da JBS, que culminou com seu afastamento do Senado
e a prisão de sua irmã, Andrea Neves.
Em uma fala de quatro minutos, ele afirmou que
recorreu ao empresário da JBS para vender um apartamento de sua família no Rio
de Janeiro porque "não fez dinheiro na vida pública".
"Há cerca de dois meses eu pedi à minha irmã,
Andrea, que procurasse o senhor Joesley e oferecesse a ele a compra de um apartamento
onde minha mãe vive há mais de 30 anos. Com parte desses recursos eu poderia
pagar minha defesa. Fiz isso porque não tinha dinheiro. Não fiz dinheiro na
vida pública", afirma.
Em outro trecho, ele diz que Joesley
ofereceu outro caminho e armou uma "encenação" ao oferecer empréstimo
de R$ 2 milhões. "Fui vítima de um armação conduzida por réus confessos.
Sempre respeitei cada voto que recebi. Nos últimos dias, e vocês podem
imaginar, minha virou pelo avesso".
Por fim, o tucano faz uma autocrítica.
"Tenho que admitir que errei, e isso me corrói as vísceras. Em primeiro
lugar por ter permitido que minha se encontrasse com um cidadão cujo caráter
todo o Brasil conhece. Em segundo, ao utilizar, mesmo em conversa particular,
um vocabulário que não costumo usar, e por isso peço desculpa. Meu maior erro
porém foi me deixar enganar numa trama montada por um criminoso. Os criminosos
são aqueles que enriqueceram às custas do dinheiro público e agora vivem no
exterior zombando dos brasileiros", avalia.
No dia 18 de maio, o ministro Edson
Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, mandou prender a irmã
e um primo do tucano a partir de acusações feitas pelo empresário Joesley
Batista, da JBS, em delação firmada com o Ministério Público Federal. Joesley
relatou encontro com o senador realizado no dia 24 de março em um hotel em São
Paulo. Na ocasião, segundo a investigação, Aécio pediu R$ 2 milhões a Joesley
alegando que precisava de recursos para pagar sua defesa na investigação – o
senador é alvo de seis inquéritos no Supremo.